[para quem não quiser ler tudo, no final há uma compilação dos links que precisam de seguir para ajudar]
No dia 11 de abril nada me vai motivar mais do que, km após km, sentir que estou a ajudar quem precisa.
O último ano foi difícil para a maioria de nós. De repente, perdemos muitas das coisas que dávamos por garantidas: a presença, a partilha, os abraços. Os sorrisos dos outros, agora escondidos atrás de máscaras. Deixámos de comemorar aniversários com os nossos por perto. Perdemos as nossas rotinas: a ida para o escritório, o ir buscar os miudos à escola (ou aquele momento só nosso na ausência deles). Até a nossa liberdade vimos condicionada neste último ano - "não podes", "não sais", "não entras", "não te aproximas", "não tocas".
Mas eu acredito que a maioria dos que estão a ler este post são, apesar de tudo, verdadeiros privilegiados. Porque a maioria continua a ter um emprego. Porque continuam a ter uma casa. E porque continuam a ter o que comer todos os dias. Mais do que uma pandemia sanitária, estamos perante uma pandemia económica. Podemos não querer ver, mas enquanto continuamos as nossas vidas, mais pessoas deixaram de ter onde dormir, o que comer, e acima de tudo, o que dar de comer aos filhos. E tiveram de aprender a lidar com uma realidade duríssima, para a qual nada nem ninguém as conseguiria alguma vez preparar.
(para quem ainda precise de um "banho de realidade" aconselho a reportagem "Os invisíveis" que podem ver aqui na RTP Play)
Sei que existem estruturas próprias para ajudar, mas claramente a procura supera a oferta... e ainda por cima muitos têm vergonha de procurar ajuda. E eu não consigo mesmo dormir descansada à noite se não ajudar, dentro do que me é possível.
Fazer 42.2 km é difícil. Muito difícil, em particular para mim, que não sou uma grande corredora. O treino é fundamental... mas a motivação no dia, ao longo do percurso, é tanto ou mais importante. E por isso, quando me lembrei de utilizar esta maratona como "desculpa" para ajudar quem precisa, achei que era o casamento perfeito. Porque encontrar caras conhecidas pelo caminho ajuda imenso... mas poucas coisas se comparam à alegria de poder ajudar quem mais precisa (é um ato que fica ali numa linha muito ténue que separa o altruísmo do egoísmo).
Vou recolher bens alimentares, de higiene pessoal e algumas roupas (em bom estado) para famílias que sei que precisam MESMO. Conto contigo?
Sei que muitas pessoas não ajudam porque não sabem bem como. Quando entregamos a uma Associação nem sempre temos visibilidade sobre o que acontece ao que doamos e não sabemos se chega sempre a quem realmente precisa. E por vezes nem sabemos bem como ajudar, porque não sabemos como chegar a quem ajuda e/ou precisa.
Por uma questão de privacidade, e porque não quero fazer disto um canal sensacionalista, não vou entrar em detalhes sobre as pessoas que vão ser ajudadas e as suas vidas. As histórias são mais que muitas. Há crianças envolvidas, mulheres em fuga de maridos violentos e pessoas que simplesmente tiveram o azar de ver o seu empregador falir. Há, acima de tudo, pessoas sérias que precisam de ajuda.
Contribuir é muito fácil.
A melhor forma de ajudarmos qualquer uma destas famílias é com alimentos. Porque, efetivamente, na maior parte dos casos, o rendimento não chega para fazer todas as refeições completas. Claro que não vão recusar roupas (em particular as que têm crianças), mas a verdade é que, entre comida e roupa, todos sabemos o que é mais essencial.
Para quem quiser contribuir, podem entregar as vossas doações no dia 11 de abril nos pontos de recolha (que vão ser também os meus pontos de abastecimento durante a corrida, nos quais vou receber água, gel e fruta, porque sem isso não chegarei garantidamente ao final). E assim estão a ajudar-me duas vezes: contribuindo, e fazendo claque (bem preciso, acreditem!). Caso não vos seja possível entregar nesse dia, podemos combinar outra forma de me fazerem chegar a vossa doação. Mas fico com pena de não vos ver ao longo do percurso, que ainda por cima é perfeito para um "passeio higiénico". Preferia que não existissem transferências monetárias, mas se quiserem mesmo contribuir e não houver outra forma, podem dizer-me o que querem que compre, e eu trato quando for comprar a comida que também vou doar. 1 pacote de arroz já faz diferença para qualquer dos casos...
Acerca dos pontos de recolha
Como sabem temos muitas restrições nesta fase, e por isso temos de as respeitar rigorosamente. Peço a todos os que participarem que mantenham sempre as distâncias de segurança, não façam aglomerações e que utilizem sempre máscara. Em cada um dos pontos vai estar um carro que fará as recolhas, uma vez que todos têm um parque de estacionamento (excepto a meta). Caso não esteja a ser permitido o estacionamento (porque por vezes a Polícia restringe) vamos colocar uma caixa (que estará lá apenas no, dentro da qual podem colocar as vossas doações. Os pontos de recolha estão identificados num excel cujo link está no final deste post. Na véspera vou acrescentar uma coluna com a indicação de quem estará no ponto, para que seja mais fácil encontrarem o carro de recolha.
O que vamos recolher
É melhor dar prioridade a alimentos (repito que estamos a falar de famílias muito carenciadas) e produtos de higiene, mas caso tenham roupa e calçado em bom estado que queiram doar, também vamos recolher. No caso de doarem roupa, peço-vos que a doem dobrada e separada por tamanhos/idade (exemplo: um saco com menino de 6-8 anos, outro com roupa de bebé 0-6 meses, outro com sapatos tamanho 42). Peço-vos que identifiquem o conteúdo dos sacos/caixas, para que seja mais fácil organizar tudo para as entregas.
As famílias identificadas precisam de:
- Bens alimentares (todos), desde que não necessitem de refrigeração e não se deteorem muito rapidamente;
- Produtos de higiene pessoal (adulto, criança e bebé) de consumo corrente - shampoo, pasta de dentes, gel banho, etc.
- Produtos para bebé (uma das famílias tem um recém-nascido)
- Calçado e roupa de criança: meninos de 2 e 6 anos, menina e menino de 12 anos.
- Roupa prática para bebé 0-12 meses (é uma menina, mas podem vir coisas azuis à vontade)
- Sapatos de homem tamanho 42
- Sapatos de senhora tamanhos 34/35 (sem salto), 38 e 41
- Roupa de homem tamanho 38 / S
- Roupa de senhora e adolescente tamanhos S e M (34 - 38)
- Se alguem tiver uma cama (1 pax, adulto ou casal pequena) com colchão que não precise e queira doar, iria ajudar muito uma das famílias. Não levem para os pontos de recolha, combinem comigo que arranjo forma de fazer chegar a quem precisa :)
E não posso ajudar na logística?
Claro que podes! à partida já tenho todas as pessoas necessárias, mas a ajuda é sempre bem-vinda. É só reservares a manhã e início da tarde de dia 11 de abril na agenda e preencheres o formulário que está nos links úteis no fim do post, que eu combino contigo.
A entrega às famílias, por uma questão de privacidade das mesmas, será feita apenas por mim ou por quem as referenciou.
Links úteis
Formulário para doar e/ou ajudar na logística aqui.
Excel com os pontos de recolha e hora aproximada de funcionamento aqui. (são as linhas a amarelo)

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